O que é Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA) ?
- 2 de set. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 14 de abr.
É muito comum sentir que comeu demais em alguma situação, como um almoço de domingo, uma festa, um rodízio... mas calma, por si só, não é compulsão alimentar.
O que é um episódio de compulsão alimentar?
A compulsão alimentar não se trata apenas da quantidade de comida, mas da sensação de perda de controle. Durante um episódio, é comum o sentimento de
não conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo.
E estão associados a pelo menos três ou mais dos seguintes aspectos:
Comer mais rapidamente que o normal.
Comer até se sentir desconfortavelmente cheio.
Comer grandes quantidades, mesmo na ausência de fome.
Comer sozinho(a) por vergonha.
Sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido e muito culpado em seguida.
Tudo isso é marcado por um sofrimento intenso.

Exagerar ocasionalmente em situações específicas é algo comum. Mas quando esses episódios acontecem com frequência e impacta na qualidade de vida da pessoa, merece atenção.
O transtorno de compulsão não acontece por acaso.
Dentre os fatores envolvidos no desenvolvimento e manutenção da compulsão alimentar estão os socioculturais (ex: mídia e padrão de beleza), familiares (ex: comentários negativos e cobranças a respeito da imagem corporal) e individuais (ex: experiências traumáticas, temperamento e personalidade, estilo neurocognitivo, dentre outros).
É muito comum identificar também, um histórico de impulsividade, baixa autoestima, insatisfação corporal, dificuldades de controle geral, ansiedade e/ou depressão e dificuldades no funcionamento interpessoal.
Compulsão alimentar não é falta de força de vontade ou de vergonha na cara!
Muitas pessoas que vivem compulsão também passaram por várias dietas restritivas na tentativa de controle.
E isso não é coincidência, de fato, a restrição aumenta o risco de episódios de compulsão, porque aumenta a fome física, gera sensação de privação e intensifica o desejo por comida.
Então, qual é o caminho?
Os objetivos do tratamento são:
reduzir os episódios de compulsão
normalizar o comportamento alimentar
corrigir possíveis carências nutricionais
trabalhar as crenças alimentares
identificar os gatilhos para as compulsões
estabelecer uma organização da rotina alimentar
E um ponto essencial é que dietas restritivas não fazem parte do tratamento. Estabelecer uma alimentação balanceada e equilibrada é um passo fundamental.
Já temos muitos estudos indicando que a prática de dieta restritiva pode funcionar como gatilho para o desenvolvimento de compulsão alimentar, gerando pensamentos obsessivos por comida e hiperfagia (aumento da fome) (Racine et al, 2011). A American Dietetic Association (ADA) se posiciona desde de 1994 pontuando que os distúrbios alimentares se manifestam tipicamente após um período de restrição alimentar (ADA, 1994).
Se você se identificou, saiba que existe tratamento e você não precisa passar por isso sozinha(o).
Busque um nutricionista especializado em transtornos alimentares, que é o profissional que entende as suas dificuldades alimentares de forma aprofundada e é capaz de te ajudar de uma forma mais assertiva e empática.
Se você conhece alguém que está passando por isso, ofereça apoio sem julgamento e incentive a busca por ajuda profissional.
REFERÊNCIAS:
ADA - American Dietetic Association. - Position of the American Dietetic Association: nutritional intervention in the treatment of anorexia nervosa, bulimia nervosa and binge eating. J Am Diet Assoc 94: 902-7, 1994.
ALVARENGA, M.S. et al. Nutrição Comportamental. 2ª ed. São Paulo: Manole, 2019.
Racine SE, Burt SA, Iacono WG, McGue M, Klump KL. Dietary Restraint
Moderates Genetic Risk for Binge Eating . J Abnorm Psychol. 120(1):
119–128, 2011.




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